Quem somos
Raízes e o Início em Minas
Natural de Três Pontas, Minas Gerais, Wagner iniciou sua jornada musical precocemente. Aos quatro anos, já dividia o piano com seu irmão Gileno. Criado em uma família onde a musicalidade era latente, estudou sob a tutela de sua mãe, Walda, e de sua tia, Ruth — que já tentava, sem sucesso, conter sua inclinação natural ao improviso, traço que viria a definir sua personalidade artística.
Foi nessa época que selou uma das parcerias mais emblemáticas da música mundial: ao lado de Milton Nascimento, integrou o conjunto Luar de Prata. O que começou nos bailes de Minas Gerais transformou-se em uma colaboração vitalícia, passando por grupos como o W’s Boys e o inovador Som Imaginário.
Projeção Internacional e Inovação
A partir de 1966, como arranjador de Paulo Moura e integrante do quarteto do maestro, Wagner estreou profissionalmente nos palcos do Canecão, acompanhando a cantora Maysa. Na década de 70, sua carreira ganhou o mundo. Convidado por Milton Nascimento, revolucionou a música instrumental ao fundir sintetizadores com orquestra, rock, jazz e MPB.
Sua maestria foi aclamada por gigantes como Herbie Hancock e Wayne Shorter (com quem gravou o icônico álbum Native Dancer). No Festival de Jazz de Montreux, colaborou com nomes como Flora Purim, Airto Moreira e Ron Carter, consolidando seu nome como um dos grandes organistas e arranjadores do planeta.
Coração de Estudante e o Legado Político
Em 1985, Wagner Tiso alcançou a consagração definitiva como compositor com “Coração de Estudante”. Originalmente concebida para o filme Jango, de Silvio Tendler, a canção tornou-se o hino de um Brasil que emergia de 30 anos de ditadura, simbolizando a esperança e a luta democrática do país.
Entre o Erudito e o Popular
Sempre renovador, Wagner nunca se deixou limitar por rótulos. Transitou com a mesma fluidez entre:
- Óperas Eletrônicas: Como a ambiciosa Manú-Çaruê, um divisor de águas na música brasileira.
- Música Sinfônica: Compôs suítes e choratas, apresentando-se como solista à frente de orquestras como a OSB e a Orquestra Petrobras Sinfônica.
- Trilhas Sonoras: Premiado por trabalhos em filmes como A Ostra e o Vento e diversas produções de TV.
Além da Música
Para além das partituras, Wagner é movido por suas paixões pessoais. Morador do Rio de Janeiro, cidade pela qual se encantou e onde se tornou vascaíno, divide a vida com sua esposa e produtora, Giselle — a quem dedicou o disco homônimo de 1986 — e suas filhas, Joana e Índia.
Hoje, Wagner Tiso continua sua missão de preservar e formar o músico brasileiro, seja através de projetos sociais e educativos ou de novas explorações sonoras, como o duo de piano e violão de aço com Victor Biglione. Para Wagner, a música não é um estado estático, mas um ato de contínua invenção.